N1 - Le Moustache 2

A história do Daniel Cardoso e o sonho de abrir um restaurante.

Daniel Cardoso tinha um sonho: abrir um restaurante. Desde cedo fez tudo para ir atrás dele. Pitada a pitada, sem saltar nenhuma etapa, pode hoje dizer: “sonho concretizado”.

Um restaurante na sua cozinha

Daniel Cardoso sempre gostou de juntar amigos em casa. Partilhar, conviver, petiscar. Muita comida, muita conversa. Mas enquanto os amigos viviam a “festa”, Daniel sentia que passava pouco tempo com eles. Havia sempre algo para fazer, para preparar, para arrumar. Tinha que encontrar uma solução.

Assim criou, com a sua mulher, o “Le Moustache em casa”. Um serviço onde cozinhava em casa das pessoas, dos amigos. O problema identificado tinha agora uma solução: cada cliente podia finalmente usufruir de um serviço diferenciador e desfrutar de uma refeição rica de sabor. Tudo sem se preocupar com a logística: compras, preparação, confeção e limpeza.

Funcionou muito bem no ciclo de amigos. No passa-a-palavra. “Mas não é fácil abrir as portas da nossa casa, as portas da nossa cozinha, a um “desconhecido” – Diz daniel Cardoso. Assim, a paixão da cozinha não ficou pelo “Le Moustache em casa”. Continuava a faltar qualquer coisa a Daniel.

O Masterchef

Foram os amigos que o incentivaram a participar. “Vai, inscreve-te”, “Tu tens jeito”, “É a tua cara”, “És viciado no Masterchef Austrália”, “Sempre disseste que se entrasses, ganhavas”. Como pessoa que adora desafios, principalmente os ligados à cozinha, aceitou.

“O Masterchef foi uma experiência cicatrizante”, diz. Deixou muitas marcas. A pressão era enorme. Fechado numa casa com 15 pessoas, sem telefone, televisão ou internet. Com 12 horas de filmagens por dia. Afastado das pessoas que lhe eram mais queridas. Mas esta aventura preparou-o para o mundo em que vive agora e para a realidade que é cozinhar, não só para amigos, mas para o público.

O Masterchef tornou-o famoso. E ao seu bigode ainda mais. A marca, que tinha idealizado com a sua mulher, tinha crescido… tal como o seu bigode. A marca agora já tinha uma cara.

O sonho do restaurante ou um restaurante de sonho

Quando saiu do Masterchef surgiram vários convites para abrir restaurantes. Mas foi recusando. Não queria ser dono de “mais um”. Queria inovar para vingar num mercado competitivo, onde cada detalhe faz a diferença. Pensou, estudou e testou. Quis consolidar a sua marca, para depois, no tempo certo, avançar. Quando sentiu que estava pronto, quando sentiu que podia marcar pela diferença, resolveu avançar.

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A Campanha de crowdfunding

A vontade de avançar é travada pela falta de verbas. Faltavam 5000€. Assim, agarrou no seu maior ativo: os seus 7700 seguidores no Facebook. “Se cada um desse 1€, conseguiria 7700€. E apenas precisava de 5000€”— disse Daniel. Não parecia uma tarefa impossível. “Vou fazer um crowdfunding”, confessou aos amigos e família. Todos apoiaram a ideia, principalmente o irmão. Também ele já tinha recorrido com sucesso a este método de financiamento, para conseguir salvar o seu clube de futebol americano em Lisboa. Por isso, convenceu-o a seguir em frente com a ideia.

Assim que lançou a campanha, o Observador referiu-a e a RTP promoveu-a como notícia. Participaram 168 pessoas. Os resultados superaram as suas melhores expectativas. Para além de, em poucos dias, ter conseguido os 5000€, o feedback e repercussão da ideia não tiveram preço.

“Foi o primeiro restaurante a conseguir o valor num crowdfunding. Até ultrapassou!” diz Daniel. A ação, mais do que uma “manobra financeira”, foi a melhor campanha de marketing. Deu a conhecer nos canais digitais, na imprensa e TV, o restaurante antes de abrir. Assim surgiu, um restaurante novo, de pessoas empenhadas, motivadas a fazer algo diferente.

O sonho concretizado – Le Moustache Smokery

Tem 3 “ingredientes” essenciais: o Pedro, o Francisco e o Marco. Todos homens de negócios. Todos amigos de infância. “Todos uma família”. Uma receita a preservar na essência do Le Moustache.

Entre esta “família”, o sonho do restaurante era principalmente do Daniel. É o mais emocional. Porque tudo envolve comida. “E a comida é uma coisa emocional”, diz. Através dela, convivemos mais. Não é por acaso que o seu restaurante tem poucas mesas para dois. O objetivo é juntar, conviver, partilhar, sorrir, conversar.

“O meu restaurante precisa de barulho. Cheiro. É sinónimo de vida. As casas onde entras e não há barulho, nem cheiro, são frias. Não há vida ali”. Sonho cumprido. Conseguiu criar um espaço onde não se dá conta do tempo passar. Este é o lema do Le Moustache: o sabor une os amigos. O sabor une as pessoas.

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Barreiras

Dificuldades para abrir o restaurante? “Há sempre. Maioritariamente burocráticas. Este país é complicado para abrir um espaço. Há mais regras do que propriamente benefícios para quem abre um restaurante. Isso não te ajuda a ser criativo ou inovador. Tens de seguir tantos passos. Perco mais tempo a pensar no que tenho de seguir de HAACP’s, de leis, ou de ASAE’s, do que propriamente a pensar em novos pratos”. Encontrou também desafios a nível de staff. “A restauração está a ser desvalorizada. As pessoas não querem formação em restauração. Não querem trabalhar na restauração porque têm de abdicar praticamente da sua vida pessoal”, diz Daniel, que passa mais de 16 horas no restaurante. “Não encontro staff. A maior barreira na restauração é a parte humana e a gestão dos recursos humanos”.

O seu maior desafio? Evoluir constantemente. “Imaginar coisas novas e sobretudo agradar as pessoas, isso é essencial”. Hoje em dia há outros desafios na restauração, confessa Daniel: “As pessoas escondem-se atrás das tecnologias. Eu vou a todas as mesas perguntar se está tudo bem, todas elas dizem que sim e depois encontro aqui e ali nas redes sociais a dizer que não gostaram”. O feedback não é direto, mas não impede o Daniel de estar atento ao mesmo. O foco nas pessoas é o sucesso do négócio.

Um dos desafios que tem de ultrapassar é não se deixar influenciar e continuar o seu trabalho como tem feito, pois todos os dias aprende uma coisa nova no seu restaurante. A isto chama-se evoluir.

O futuro.

O futuro? Fazer crescer a marca. O Le Moustache em casa. O Le Moustache catering. O Le Moustache Smokery. E no futuro poderão existir outros conceitos Le Moustache. Conceitos mais próximos —tendo em conta as localizações, mais sustentáveis — com produtos locais, etc. Todos centrados nas pessoas.

Porque um bigode nunca para de crescer.

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